21.7.06

Está certo poque eu sou Doutor


André Azevedo da Fonseca

Nesses diversos congressos, seminários e simpósios que tenho participado pelo país, observei alguns comportamentos muito curiosos de determinada estirpe de intelectual acadêmico. Evidentemente, anotei algumas peculiaridades para compor um personagem encantador.
Diploma de 1º grau, 2º grau, graduação, pós-graduação, mestrado, doutorado, PhD e upa, upa, lá vem o Prof. Dr.! Ele não vem sozinho. Carrega consigo uma maletinha onde guarda sua coleção de diplomas para o caso de emergência: nunca se sabe quando precisará de um. Prudência e uma citação qualquer de Wittgenstein não fazem mal a ninguém.
O Prof. Dr. detesta conversar com pessoas que se recusam a ficar imediatamente fascinadas com seus comentários. Considera estúpido qualquer indivíduo incapaz de perceber que, por trás de seu bom dia, há anos e anos de estudo. Acha indecente colegas que, em sua presença, tratam de assuntos que não dizem respeito à sua tese. Um desperdício de tempo inadmissível para um PhD como ele.
Irrita-se profundamente quando uma balconista, um taxista ou um garçom dirige-lhe qualquer comentário, ou mesmo uma pergunta. Ouvir a voz de pessoas estúpidas pode intoxicar sua consciência, da mesma forma que comida estragada intoxicaria seu organismo. E sem um diploma, como o sujeito vai provar que não é um deficiente mental?
Porém, o Prof. Dr. não demonstra mau-humor, por entender que todos os seres vivos merecem consideração. Por isso, desenvolveu uma técnica pantomímica que simula expressão facial de intenso interesse em qualquer circunstância. Enquanto o ignorante fala, ele procura dispersar o pensamento, ou direcioná-lo para a reflexão de conceitos abstratos. Só fica atento na movimentação da boca do sujeito. Quando eventualmente o intelectual se distrai de suas abstrações e se vê diante a ameaça de prestar a atenção ao interlocutor boçal, interrompe com um meio-sorriso, diz "muito bem" ou "que ótimo!", finge que o celular vibrou e escapole daquela situação em contorções impossíveis. Sofre náuseas, labirintite, falta de ar, e só melhora quando repete para si mesmo: razão, consciência e hermenêutica, sou Prof. Dr.; razão, consciência e hermenêutica, sou Prof. Dr.!
Na verdade, o Prof. Dr. tem até alguma simpatia pelos raros iletrados que se põem a admirá-lo; porém, nunca dirige mais do que duas ou três palavras a eles, pois sabe que não vão entender mesmo. Quando ouve uma pergunta, desconversa dizendo: "é isso mesmo". Depois sai de fininho.
O Prof. Dr. invariavelmente se aborrece quando participa de simpósios, pois sempre aparece um retrógrado que contesta suas afirmações incontestáveis, especialmente aquelas baseadas nos dogmas da nova ciência. Mas ele não se intimida. Acaricia sua pasta de diplomas e, quando se sente encurralado no meio da argumentação, fuzila: "escute rapaz, isso que você diz é ridículo, você está errado, pois sou Dr!" Com um argumento desses, de fato, encerra-se a discussão.
O Prof. Dr. tem várias cartas na manga para vencer pelejas acadêmicas. Quando alguém expõe um assunto que ele não domina, o Prof. Dr. diz que isso não tem a mínima relevância. Quando apontam nele falhas de raciocínio, O Prof. Dr. atribui a um pensador consagrado na bibliografia e exime-se da responsabilidade da argumentação. Quando percebe que o interlocutor está prestes a fazer uma conclusão perspicaz, o Prof. Dr. interrompe bruscamente, expõe objeções fictícias, faz rodeio e conclui, triunfante, exatamente aquilo que o interlocutor estava prestes a concluir.
O Prof. Dr. esforça-se de forma sobre-humana para exibir-se em sociedade como um ser humano igual a qualquer um. Treina no espelho um olhar que pareça, ao mesmo tempo, cúmplice e superior, sincero e blasé, atento e descontraído. Cultiva uma extravagância inofensiva porque entende que é de bom-tom ter estilo. Amante da sociologia e da antropologia, idealiza e diz amar, com alma terna, a ingenuidade da sabedoria popular. Não perde a oportunidade de demostrar afeto aos iletrados quando o tema é debatido na universidade. Amante da música, obriga-se a ouvir os clássicos por pelo menos vinte minutos na semana. Quando falha, na semana seguinte ouve quarenta minutos.
Admite que ser doutor não significa, necessariamente, ser sempre racional: "é preciso sentir emoções de vez em quando". O Prof. Dr. não gosta muito de sexo, mas não se sente incomodado, porque Kant também não gostava. De qualquer maneira, faz para cumprir obrigações conjugais, quando necessário.
O Prof. Dr., evidentemente, odeia autodidatas. Tem uma ofensa na ponta da língua para esses atrevidos, citando Mário Quintana: "autodidata é um ignorante por conta própria". O Prof. Dr. prefere ser um pós-graduado, um mestre, um doutor.

http://www.revelacaoonline.uniube.br/portfolio/tvdesl.html

2.7.06

Perguntas Frequentes sobre movimento estudantil de Serviço Social

O que é um C.A. ou D.A.?

O C.A., Centro Acadêmico, ou D.A., Diretório Acadêmico, é uma entidade criada para representar os alunos de uma faculdade ou curso. Seus integrantes são eleitos para defender os direitos e os interesses dos alunos dentro da instituição. É importante lembrar que todo trabalho realizado no C.A. ou D.A. é parte da militância política e não remunerado.

C.A. não é a mesma coisa que D.A. ?

Teoricamente não. O C.A. é responsável pela representação de um único curso dentro de uma instituição, já o D.A. representa mais de um curso dentro da mesma instituição. (Ex.: D.A. da Faculdade de Letras, Pedagogia e Psicologia da Universidade X; C.A. do Curso de Jornalismo da Faculdade Z).


E o D.C.E.? onde entra nessa história?


O D.C.E. , Diretório Central dos Estudantes, é mais comum em grandes universidades, que possuem muitos cursos.Nesse caso, os C.A.s e/ou D.A.s da instituição podem optar por criar um D.C.E., do qial todos farão parte. Este, passa a ser o órgão máximo de representação dos estudantes dos diversos cursos, dentro e fora da instituição.

O que é a UNE ?

A UNE, União Nacional dos Estudantes, é a única entidade estudantil existente para representar e defender o interesse dos estudantes em âmbito nacional.

Qual a importância dos C.A.s e D.A.s ?

O princípio básico é o que já foi dito: representar os estudantes dentro de uma instituição, reivindicando seus direitos e procurando soluções. A Lei 7.395, de 1985, assegura aos estudantes de nível superior o direito à Organização de Centros ou Diretórios Acadêmicos. Se a sua faculdade ainda não tem um, saiba que organizá-lo é muito simples, basta boa vontade! Todos os alunos regularmente matriculados nos cursos de graduação e pós-graduação podem participar.

qual a Importância dos C.As e D.As

Para quem não sabe, estas instâncias estão garantidas pela lei n.º 7.395, de 31 de outubro de 1985, do artigo 4º da Constituição Federal: “Fica assegurado aos estudantes de cada curso de nível superior o direito a organização de Centro Acadêmico ou Diretórios Acadêmicos, como suas entidades representativas”.
Estes órgãos estudantis se inserem dentro do movimento estudantil como os demais movimentos sociais.
A importância em se criar um C.A. ou D.A, está diretamente ligada às conquistas de melhores condições de ensino para os estudantes como: salas com números menores de alunos; campo de estágios remunerados com supervisão; ensino de qualidade com professores avaliados e atualizados; incentivo a pesquisa com financiamento via CNPq, CAPES e a defesa do Tripé Social da Universidade – Ensino, Pesquisa e Extensão.
É um espaço de autonomia dos estudantes e financiado pela organização dos estudantes, para poder trabalhar sem sofrer interferências de outras instituições organizadas, para lutar por seus objetivos na construção de um projeto educacional, crítico, ético e político.
A participação nestes órgãos possibilitam uma abertura de horizontes na formação profissional do estudante no campo cultural, político, econômico e de lazer, podendo participar de encontros com outras organizações sociais e intevir nos órgãos maiores de sua categoria, UNE (União Nacional dos Estudantes) e UEE ( União Estadual dos Estudantes ) e Executivas e Federações de cursos.
Em relação ao espaço físico da entidade a lei que assegura a nossa organização não prevê nada, o que temos na pratica e a luta política dos estudantes para conseguirem um espaço na universidade ou Faculdade, dialogando com os setores responsáveis e também e claro fazendo pressão isso porque temos o direito de nos organizarmos.
Em relação questão financeira fica a criatividade de cada alguns alugam uma parte de seus espaços, outros vivem de contribuição que e retirada do boleto de mensalidades ou do vestibular, e outros criam políticas de financeira como sorteios rifas etc, de tudo chamamos atenção que a entidade teve ter autonomia, ou seja, não ficar presa a quem a possa a financiar como a universidade, empresas ou partidos, outro detalhe e ser queremos construí um movimento que construa o coletivo e pontecialize sua consciência critica não a como estabelecer aos estudantes contribuições compulsórias.
Se na sua faculdade ainda não possui um desses órgãos, procure a ENESSO para obter informações de como organizar o espaço físico e financeiro. Vamos construir juntos estes espaços de formação político e profissional.
As conquistas desses direitos se tornam mais fácil quando há organização dos estudantes e não quando se está sozinho na luta.