Eta nóis (16/2/95)
O mito da peculiaridade brasileira, de que não somos parecidos com nenhum outro povo da terra, custa a acabar. Todos os povos, claro, se consideram diferentes de todos os outros, mas no nosso caso não é só um exagero de auto-estima, é uma precondição de existência. Precisamos do mito para nos governarmos e nos aturarmos. Nossa convivência como sociedade depende da vigência do mito. Não como folclore, consolo pelos nossos vícios (“brasileiro é assim mesmo”) e celebração das nossas espertezas e talentos, mas como crença firme, oficial, de que a Providência, por alguma razão, nos liberou das leis de causa e efeito que regem o resto do mundo. Talvez pela nossa simpatia.
Desde o começo do Plano Real, passando pela eleição do Éfe Agá e chegando até a última manifestação do presidente, vivemos uma fase de especial vigor do mito da peculiaridade brasileira. Derrotamos a inflação sem ofender as leis do mercado e sem recessão aparente, estamos contendo o consumo, mas com aumento de produção e sem desemprego, seguimos à risca toda a receita neoliberal, mas não se preocupe, isto não é neoliberalismo, o governo depende para governar socialdemocraticamente de uma estrutura parlamentar dominada pelo reacionarismo, mas não vai barganhar sua alma - mesmo porque ela já está prometida ao empresariado paulista - e cumprirá todas as suas promessas aos “excluídos”, com ou sem dinheiro. Como tudo isso é possível? Não é possível, é o Brasil. Vivemos sob o signo do Eta Nóis.
Nos desenhos animados, às vezes acaba o chão, mas os personagens continuam a caminhar no vazio. Só caem quando se dão conta de que estão pisando em nada. Mas, se não se dessem conta, atravessariam o abismo. Adote esta técnica para ajudar Éfe Agá a nos levar até o outro lado. Não faça perguntas, não estranhe nada - e acima de tudo NÃO OLHE PARA BAIXO!
18.2.07
30.1.07
Como nasce um paradigma
Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.
Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de um certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada.
Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram.
Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato.
Um terceiro foi trocado e repetiu-se o facto. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:
"Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."
Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de um certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada.
Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram.
Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato.
Um terceiro foi trocado e repetiu-se o facto. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:
"Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."
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